CNT/Sensus: Dilma tem 50,3% das intenções de voto contra 37,6% de Serra

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, manteve a liderança da disputa presidencial de acordo com a pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje (30). A petista tem 50,3% das intenções de voto contra 37,6% do adversário José Serra (PSDB). Dos eleitores entrevistados, 7,9% disseram estar indecisos e 4,1% afirmaram votar em branco ou nulo.

Na pesquisa anterior, divulgada no dia 27, Dilma tinha 51,9% das intenções de votos, e Serra 36,7%.

Considerando-se apenas os votos válidos, excluindo-se nulos e brancos, Dilma tem 57,2% e Serra, 42,8%. No levantamento anterior,  Dilma tinha 58,6% ante 41,4% do tucano.

Com relação à última pesquisa do instituto, a rejeição à petista subiu de 32,5% para 34,1% do eleitorado. Já a rejeição a Serra caiu de 43% para 41,7%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A pesquisa entrevistou dois mil eleitores entre os dias 28 e 29 de outubro, em 136 municípios, e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37919/2010.

Fonte: http://www.uol.com.br

 

 

Dilma tem 57% dos votos e Serra, 43%, diz Vox Populi

A candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff  atingiu 57% das intenções de votos de acordo com pesquisa Vox Populi divulgada neste sábado (30). O tucano José Serra, adversário da petista, registrou 43%.

Na última pesquisa Vox Populi, divulgada no último dia 25, Dilma aparecia com 49% das intenções de voto e Serra com 38%

Brancos e nulos somam 5%, o mesmo percentual de indecisos. A margem de erro é de 1,8 pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando apenas os votos válidos, excluindo votos brancos, nulos e de indecisos, Dilma soma 51% das intenções e Serra, 39%.

A pesquisa foi realizada no dia 30 de outubro com 3.000 eleitores e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37844/2010.

Neste sábado, pesquisa CNT/Sensus também apontou a petista na liderança da disputa presidencial com 50,3% dos votos totais ante 37,6% de Serra. Nos votos válidos, Dilma tem 57,2% e Serra, 42,8%.

Fonte: http://www.uol.com.br

 

Ibope: Dilma tem 52% das intenções de voto e Serra, 40%

A um dia da eleição, a última pesquisa Ibope das eleições presidenciais deste ano, divulgada neste sábado (30), mostra a candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff  liderando a disputa com 52% das intenções de votos. O tucano José Serra, adversário da petista, atingiu 40%.

Votos brancos e nulos somam 5%, indecisos são 3%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

No último levantamento do instituto, realizado entre os dias 25 e 28 de outubro, a petista obteve 52% das intenções de voto, contra 39% de Serra.

Considerando apenas os votos válidos, excluindo votos brancos, nulos e de indecisos, Dilma vai a 56% contra 44% de Serra. No último levantamento do Ibope, a petista aparecia com 57% contra 43% do ex-governador de São Paulo.

Dos entrevistados, 86% afirmaram que seu voto é definitivo e 11% admitiram que ainda podem mudar o voto.

A pesquisa foi realizada no dia 30 de outubro com 3.010 eleitores, em 203 municípios de todo o País, e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37.917/2010.

Neste sábado, pesquisa CNT/Sensus também apontou a petista na liderança da disputa presidencial com 50,3% dos votos totais ante 37,6% de Serra. Nos votos válidos, Dilma tem 57,2% e Serra, 42,8%. No levantamento do Vox Populi, divulgado também neste sábado, a petista obteve 57% contra 43% de Serra.

 

Dilma chega ao dia da eleição com 55% das intenções de voto, aponta Datafolha

Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 55% dos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e hoje. Está dez pontos à frente de José Serra (PSDB), que pontuou 45%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O Datafolha entrevistou 6.554 pessoas neste sábado, um número maior do que o de outras sondagens recentes. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo e está registrada no TSE sob o número 37903/2010.

Se confirmar nas urnas o resultado do Datafolha, Dilma será eleita a 40ª presidente do Brasil. A corrida eleitoral tem se mantido estável nos últimos 15 dias, com os dois candidatos variando apenas dentro da margem de erro do levantamento.

Na última quinta-feira, Dilma tinha 56% e oscilou negativamente um ponto. Serra estava com 44% e deslizou um ponto para cima. Do ponto de vista estatístico, é impossível afirmar se houve ou não variação no período.

Quando se consideram os votos totais, Dilma tem 51% contra 41% de Serra. Ambos oscilaram positivamente um ponto cada de quinta-feira até ontem. O percentual de indecisos continua em 4%. E há também 4% de eleitores decididos a votar em branco, nulo ou nenhum.

A campanha de segundo turno agora em outubro mostrou uma recuperação de Dilma em todos os segmentos analisados ontem pelo Datafolha, com exceção de dois grupos: os eleitores da região Sul e os do interior do país.

No Sul, a petista começou o mês com 43% contra 48% de seu adversário tucano. Ontem, Dilma estava com 42% e ainda perdia para Serra, que pontuou 50%.

Entre os eleitores do interior, a candidata do PT ficou no mesmo lugar. Começou outubro com 50% e ontem tinha o mesmo percentual. Mesmo assim, está sete pontos à frente de Serra (43%).

A arrancada mais significativa de Dilma se deu nas regiões metropolitanas (de 44% para 52% neste mês) e no Sudeste (de 41% para 48%). O Sudeste concentra 45% dos eleitores do país. Serra, que é paulista e fez sua carreira política na região, tem 44%, o mesmo percentual do início do mês.

No Nordeste (25% dos eleitores brasileiros), a petista manteve neste mês sua liderança sobre o tucano. No início de outubro, tinha 62%. Ontem, segundo o Datafolha, Dilma estava com 63% e uma frente de 33 pontos sobre Serra, cuja pontuação na região foi de 30%.

O principal reduto do tucano é o Sul. Mas ele avançou pouco durante o mês, de 48% para 50%. Dilma, cuja carreira se deu no Rio Grande do Sul, não conseguiu se recuperar entre os sulistas _16% do eleitorado.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os dos candidatos a presidente começaram o mês empatados tecnicamente: Serra com 46% e Dilma com 44%. Ao longo da campanha, a curva se inverteu. Ontem, a petista estava com 50% e o tucano com 42%.

A pesquisa Datafolha confirma a força de Dilma entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (44% do total do país). A petista tem 56% nesse segmento contra 36% de Serra.

 

 

Vantagem de Dilma em MG beira 20 pontos e desanima tucano

Apesar do empenho e otimismo de José Serra (PSDB) na última semana de corrida eleitoral, assessores e aliados sabem que uma vitória sobre Dilma Rousseff (PT) é improvável. Por isso não foi reservado nenhum local de comemoração para este domingo, quando eleitores escolherão o substituto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro turno, havia certeza de que tucano passaria a etapa e, por isso, a campanha alugou um espaço para eventos na capital paulista.

O diagnóstico mais duro de que a vitória é improvável veio de Minas Gerais, onde Serra tinha esperança de que o senador eleito Aécio Neves (PSDB) ajudasse a promover uma virada. Na quinta-feira, ele e o governador reeleito, Antonio Anastasia, fizeram um relato de como estava a situação no Estado: Dilma se mantém forte no Norte e no Triângulo Mineiro, onde nem Anastasia venceu.

19 pontos de vantagem para Dima em MG

Um integrante do PSDB mineiro que mantém diálogo frequente com Serra contou ao iG que a diferença em pontos percentuais entre Dilma Rousseff (PT) e Serra ficará nos números da contagem nacional. De acordo com as últimas pesquisas, a petista está 14 pontos percentuais na frente.

Mas uma pesquisa encomendada pelo jornal O Tempo mostra que a vitória de Dilma em Minas será maior. A pesquisa DataTempo/CP2 realizada em todo o Estado mostra vantagem da candidata do PT de 19 pontos percentuais em relação ao seu adversário tucano. A petista registra 59,50% dos votos válidos (não são considerados os brancos, nulos e os indecisos) contra 40,50% de Serra.

Contabilizando todas as intenções de votos (brancos, nulos, indecisos), Dilma tem 52,53% da preferência do eleitorado contra 35,81% de Serra. Afirmam que não sabem em quem votar ou não respondem 5,40% dos pesquisados. Dizem que vão anular o voto 4,14% e 1,54% pretende votar em branco. Afirma que não quer votar em ninguém 0,58% dos entrevistados.

Na comparação com a pesquisa DataTempo/CP2 divulgada em 20 de outubro, as intenções de voto em Dilma cresceram de 51,22% para 52,53% – variação abaixo da margem de erro, que é de 2,16 pontos percentuais. Já José Serra caiu de 38,37% para 35,81% – um pouco acima da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma Rousseff se mantém na liderança. Nessa situação, ela tem 50,80% das intenções de voto contra 34,07% de José Serra.

Dilma vence também em Belo Horizonte

De acordo com a pesquisa DataTempo/CP2, Dilma registra o seu melhor desempenho nas regiões mais pobres do Estado. Nas regiões Norte e Noroeste de Minas, a petista tem 61,50% das intenções de voto contra 30,80% do candidato do PSDB. Situação parecida ocorre nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde Dilma Rousseff conta com 60,70% da preferência do eleitorado, e José Serra registra 27% do total.

As regiões Central, Oeste e Sudoeste são as que oferecem melhor desempenho para José Serra em Minas Gerais, segundo a pesquisa DataTempo/CP2.

Na região Central, José Serra vence Dilma Rousseff . Ele tem 51,10% das intenções de voto contra 46,70% da candidata petista. Quadro semelhante ocorre nas regiões Oeste, Sudoeste, onde o tucano também supera a petista. Ele registra 50,70% da preferência do eleitorado contra 39,30% de Dilma Rousseff.

Na região metropolitana de Belo Horizonte, onde os candidatos fazem hoje as últimas atividades de campanha, Dilma Rousseff vence José Serra. A petista contabiliza 54,40% das intenções de voto contra 30,70% do tucano. No Triângulo Mineiro, Dilma também vence Serra com 54,90% contra 35,20%.

O Campo das Vertentes é a região em que a candidata Dilma Rousseff (PT) e o seu rival José Serra (PSDB) mais se aproximam. Nessa área do Estado, a petista tem 44% das intenções de voto contra 40,40% do tucano.

Desanimados, tucanos dizem: “Minas é isso”

“Minas é isso. Um retrato do Brasil mesmo”, disse o interlocutor tucano ainda enquanto Serra discursava para militantes do PSDB em evento político realizado na quinta-feira em Montes Claros, município localizado no semi-árido na região Norte de Minas. Na cidade, Dilma deverá vencer com facilidade. No primeiro turno, o tucano ficou em terceiro lugar.

Ex-governador mineiro e senador eleito pelo PSDB, Aécio Neves também estava no evento. Assim como Serra, Aécio tentou demonstrar otimismo. “Acho que ainda dá. Não podemos nos preocupar com pesquisas. Tem um movimento silencioso em favor de Serra”, disse.

Fazendo uma autocrítica, lideranças tucanas avaliam que esse “movimento silencioso”, como classificou Aécio, talvez seja tão silencioso que desanime eleitores, aliados e, especialmente, doadores. A ida de Serra ao segundo amenizou a dificuldade financeira pela qual a campanha tucana passou na primeira etapa, mas não foi o suficiente para enfrentar a robusta empreitada adversária.

Desanimados, auxiliares de Serra tentam se espelhar no “chefe” e manter o vigor no fim da disputa. Na última semana de campanha, o tucano chegou a viajar para quatro Estados no mesmo dia. Ele, sim, não perde o ânimo, apesar dos avisos de auxiliares de que poderá perder a eleição também em Minas.

As pesquisas de intenção de voto também contribuíram para o clima. Até mesmo o levantamento encomendado pelo próprio PSDB ao instituto carioca GPP, ligado ao ex-prefeito do Rio Cesar Maia, apontava vitória de Dilma a poucos dias da eleição. Daí a campanha de difamação da reputação dos principais institutos de pesquisa liderada pelo coordenador da campanha de Serra, o senador Sérgio Guerra.

Como resume uma liderança tucana, a vitória de Serra é mais um desejo do que uma possibilidade real. No Nordeste, o candidato derrotado ao governo de Pernambuco pela aliança tucana, Jarbas Vasconcelos (PMDB), reconhece que o objetivo na região é “diminuir o tamanho da derrota”. Para isso, apostam na abstenção. No primeiro turno, os eleitores contaram com o transporte providenciado por candidatos a deputado para chegarem até as urnas. Sem essa ajuda, agora, a diferença entre Dilma e Serra pode cair, espera o deputado Raul Jungmann (PPS).

A esperança é que Serra consiga tirar a desvantagem em São Paulo e nos Estados do Sul. Em São Paulo, o presidenciável conta com o governador eleito pelo PSDB, Geraldo Alckmin, para garantir uma vitória confortável. A conta é de 5 milhões de votos de vantagem sobre Dilma.

Fonte: iG

 

Triunfo em debate deixa Dilma mais próxima de vitória histórica

A TV Globo bem que tentou dar uma forcinha para o tucano José Serra, no último debate entre os presidenciáveis, na noite desta sexta-feira (29). Mas quem fez a festa nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, logo após o encontro, foram os apoiadores de Dilma Rousseff – e com razão. Ao superar um dos mais temidos obstáculos da campanha, a candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando passou a ter chances ainda mais concretas de se tornar a sucessora do presidente Lula.

Por André Cintra

Numa atração com 25 pontos de média no Ibope (cada ponto equivale a 55 mil televisores na Grande São Paulo), Dilma soube explorar o formato do debate melhor do que Serra. Pela primeira vez nestas eleições, não houve perguntas de candidato para candidato. As 12 questões foram formuladas e lidas por eleitores supostamente indecisos, que não tinham o direito de comentar as respostas. Sem o confronto direto, o candidato que está à frente nas pesquisas – no caso, Dilma – larga em vantagem.

Mas a petista não se contentou com esse trunfo. Seu principal acerto foi captar a singularidade das perguntas, demonstrando estar interessada não só em expor seu plano geral de governo – mas também em dar perspectivas até para questões mais pontuais. De longe, foi Dilma quem conseguiu estabelecer um diálogo mais franco e natural com o grupo de eleitores indecisos. Ao mesmo tempo, Dilma frisava melhor as diferenças de concepções e projetos das duas candidaturas.

Serra, ao contrário, causou ruído já na hora de agradecer às perguntas que lhe foram feitas. Pesquisas qualitativas realizadas durante o debate apontaram particular rejeição à maneira como Serra, com sorriso forçado e de forma pouco convincente, atribuía “grande importância” a todas as questões.

Sem contar suas frases de efeito, ocas a não mais poder: “Investir no serviço público é melhorar a autoestima do país”; “A batalha da saúde tem que ser para que hoje seja melhor do que ontem e amanhã melhor que hoje”; “A primeira condição para enfrentar o problema da segurança é admitir que o problema é sério”; “Saúde e segurança são a vida, mas a educação é o futuro”.

Funcionalismo

Logo na primeira pergunta do debate – sobre propostas para os servidores públicos –, as diferenças entre Serra e Dilma se impuseram. Serra, um notório inimigo do funcionalismo, defendeu propostas genéricas – “a carreira e o concurso, a valorização dos profissionais”, a “despartidarização” das agências reguladoras.

Mais tarde, o tucano teve a oportunidade de voltar ao assunto, quando uma eleitora baiana contou estar penalizada pela filha, que é professora sem ser valorizada. Serra disse defender um pacto nacional pela educação (abstração pura) e o combate ao analfabetismo. E a valorização do professor – onde é que fica?

Dilma, em suas réplicas, lembrou que o governo Lula já iniciou uma política de valorização do funcionalismo, com destaque para a aprovação do piso salarial nacional dos professores. Para se diferenciar da política à “base de cassetetes” praticada pelo PSDB em São Paulo, a candidata mostrou que não há saída para o funcionalismo se o governo não ouvir os principais interessados. “Um governante não pode estabelecer uma relação de atrito quando o professor pede diálogo.”

Serra acusou o governo Lula de “duplicar impostos sobre saneamento”, mas patinou ao fugir do compromisso de desonerar a folha de pagamento em benefício dos pequenos empreendedores. “Temos de ser responsáveis, não é moleza”, argumentou. Dilma não perdeu a oportunidade e defendeu abertamente “uma reforma tributária que diminua a oneração”.

“Percebemos que, quando diminui a tributação, não diminui a arrecadação”, afirmou, pondo em destaque as inúmeras reduções do IPI pelo governo Lula durante a crise de 2008-09. “Eu concordo com a desoneração. A pessoa contrata mais, e mais pessoas consomem. É um círculo virtuoso.”

Uma eleitora relatou o trauma de ter sido assaltada a mão armada. Serra voltou a bater na tecla da criação de um Ministério da Segurança Pública e no combate ao tráfico de drogas. Dilma, mais sensível, disse que boa parte da criminalidade exige uma ação específica. Comprometeu-se, assim, a levar polícias comunitárias aos bairros populares, com ação concentrada e fiscalização.

Social

Um eleitor de São Paulo cobrou iniciativas para que os programas sociais, como o Bolsa Família, não sejam “vitalícios. Outro, do Paraná, reclama que os brasileiros pagam muitos impostos, sem receber nada em troca. Dilma não passou recibo e interveio a favor dos programas sociais – uma questão que, segundo ela, será “central” em seu governo.

Agregou que o ProUni, com seus mais de 700 mil beneficiados de renda média e baixa, é um exemplo de como o governo Lula tenta incluir quem paga imposto e foi historicamente desprezado. Serra, mais uma vez, tentou fazer da pergunta um trampolim para ele falar de seu programa para outras áreas – “Política social é também saúde e segurança”, tentou justificar-se.

Quando o eleitor de Pernambuco reclamou que seis irmãos seus estão na informalidade e não conseguem pagar a Previdência, Serra falou em “empuxo político” e incentivo ao empreendedorismo. “Se a contribuição for pesada, ninguém vai pagar”, rebateu Dilma, em defesa da formalização máxima do mercado de trabalho e, somado a isso, de contribuições variadas à Previdência de acordo com a faixa de renda.

Nas considerações finais, uma inesperada manipulação: a Globo usou câmeras panorâmicas para expor Dilma, enquanto Serra mereceu uma transmissão em close. As reações de protesto no estúdio foram automáticas. No conteúdo, Dilma disse representar a continuidade de “um projeto que fez com que o Brasil despertasse para a consciência de sua grandeza”.

Saber enfrentar Serra e a Globo, a dois dias das eleições, também mostra como Dilma percebeu sua própria grandeza e está à altura de governar o Brasil. A vitória ficou mais próxima. Que venha 31 de outubro!

Leia mais: http://www.vermelho.org.br

A pior eleição dos últimos anos

 

Por Marcelo Semer

Segundo os indicativos das pesquisas, não é possível saber com segurança, antecipadamente, quem ganhará as eleições.Independente de quem vença, no entanto, uma coisa é certa: todos perderam.
A campanha eleitoral nos revelou várias surpresas, mas nenhuma delas
agradável.

O panorama da eleição, visto de seu início, apresentava uma perspectiva de amadurecimento democrático.
Nenhum dos principais candidatos à presidência tinha vínculos com o regime militar. Um quarto de século depois da redemocratização e os políticos egressos da ditadura não mostram forças para disputar a presidência.

O que parecia ser vitória da democracia revelou-se uma farsa.
A condição de oponente à ditadura de Dilma Rousseff foi empregada à exaustão como forma de sua desmoralização pelos adversários.
Fichas policiais apócrifas foram distribuídas pela Internet, atribuindo à candidata ações das mais diversas e irreais, moldando falsamente os adjetivos de terrorista e assassina que se fariam circular pelo submundo da eleição.

2010 poderia ter sido o ano de resgate da verdade sobre o regime militar e as torturas praticadas em nome do Estado. Longe disso.
O STF pôs uma pedra sobre os fatos no julgamento da anistia, supostamente com o pretexto da cordialidade do povo e a necessidade de esquecimento do passado em nome da paz social. Mas impunes os agentes da ditadura, iniciou-se a desconstrução daqueles que lutaram pela liberdade.

A campanha eleitoral atingiu picos elevados de despolitização, em grande parte porque o alto prestígio do governo Lula desestimulou os candidatos de oposição a criticá-lo abertamente. Serra chegou a introduzi-lo em sua própria propaganda de TV.

Se a eleição teve um início morno, seu final tem se mostrado exageradamente caliente, mas sem perder a despolitização jamais. A campanha tratou de submergir na baixaria, na propagação de preconceitos e no estímulo ao ódio.

Uma visita tétrica ao passado que pretendíamos esquecer.
Em 1985, Fernando Henrique Cardoso era candidato a prefeito de São Paulo pelo PMDB, quando foi surpreendido no debate por uma pergunta do mediador Boris Casoy, indagando se acreditava em Deus. Hesitou na resposta e reclamou com o jornalista que lhe prometera não fazer essa pergunta de caráter íntimo.

Candidatos nanicos a serviço do adversário lhe aplicaram a pecha de comunista e ateu e o sociólogo perdeu a eleição para um decadente Jânio Quadros.

Na disputa presidencial de 1989, o até então desconhecido Fernando Collor contou com a simpatia e algo mais da TV Globo, ensinando a todos o quanto a ajuda dos meios de comunicação podia desequilibrar uma eleição.

Mesmo assim, no segundo turno, seu adversário havia encostado nas pesquisas. A partir de então, Lula foi taxado de comunista e confiscador. Era representado como diabo vermelho nos cordéis nordestinos e se dizia que fecharia igrejas pelo país afora.
E se não bastasse o boca-a-boca maldito, uma ex-companheira foi contratada pelo adversário para expor intimidades no horário eleitoral.

Passadas mais de duas décadas, os fantasmas de Jânio e Collor voltam a assombrar marqueteiros em desespero.
Mentiras são disparadas por e-mails e as correntes do mal atingem em chofre o eleitorado classe média, onde estaria a maior parte dos indecisos.

Dilma foi a opção preferencial das pirâmides da infâmia: de matadora de crianças ao satanismo, passando por aleivosias sexuais, a candidata foi acusada de quase tudo.

No final, como bumerangue, partiu das redes sociais a revelação de um suposto aborto praticado pela esposa de Serra, que em campanha teria criticado Dilma por apoiar a ‘matança de criancinhas’.
Mas se a tecla do vale-tudo, usada como nunca nestas eleições, não fosse suficiente para degradá-las, ainda restava um último pesar.
Esvaziada das comparações ideológicas entre os candidatos, por opção ou incompetência, a campanha do segundo turno foi inteiramente tomada pela pauta religiosa. Proporcionou-se um atraso secular, que manchará a biografia de quem a introduziu como última cartada.
Mais de um século depois da separação de Estado e Igreja, a religião passou a ser a falsa questão central da eleição, desde que as pesquisas constataram que o tema sangrara Dilma às vésperas do primeiro turno.

Os candidatos comungaram, fizeram testemunhos de fé nas igrejas, beijaram terços e batinas e encheram propagandas de televisão com referências aos valores dignos da família cristã. Ao final, estavam comprometidos em manter o aborto como um caso de polícia.
As milhares e milhares de mulheres que morrem anualmente no país pela realização de procedimentos clandestinos, por falta de auxílio do poder público, que esperem mais quatro anos por outra oportunidade.
Vidas continuarão a ser desperdiçadas banalmente, porque um candidato achou que podia ganhar com esses votos e uma candidata receou perder por causa deles.

Recordações desonrosas da ditadura, invertendo os papéis da história. Fantasmas da infâmia elevando o submundo à condição de estratégia eleitoral. O Estado laico em risco, pela busca desesperada de um punhado de votos crentes.
Ganhe quem ganhar, esta terá sido, sem exageros, a pior eleição dos últimos tempos.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

Entradas Mais Antigas Anteriores