O EMPREGO COMO DIREITO OU PRIVILÉGIO

Por Valter Moraes*

No Brasil, tratamos o emprego como um privilégio, não reconhecendo esse direito como legitimado na Constituição Federal

O que seria direito de todos, como condição sine quanon para a manutenção da sobrevivência, dignidade e respeito ao ser – humano, tornou-se uma tortura. Isso justifica etimologicamente a origem da palavra trabalho e mostra que seu significado ainda sobrevive na relação humana, impregnando trabalhadores que sofrem com as conseqüências das patologias originarias do mundo do trabalho, da sua sobre carga que debilita física e psicologicamente, proporcionando na maioria dos casos a “cegueira humana” ou alienação como também o engessamento, travando totalmente ou parcialmente a cognição, a capacidade de criação que é privilegiadamente uma condição essencial do ser humano e por esta condição é que ele deveria se diferenciar dos outros animais.

O capitalismo, na sua essência, é um processo ideológico inexorável, individualista e essencialmente marginal, voltado para a exploração e acumulação de bens, para a guerra entre os povos, mantenedor da dualidade de um núcleo mínimo para sua sustentação, liberando seus tentáculos para empurrar a maioria da humanidade para a margem da sociedade, mostrando seu lado excludente e perverso, inclusive excluindo os que chegam ao núcleo, mas não satisfaz suas três necessidades básicas: produção, produção, produção.

Esses são os verdadeiros torturadores cooptados e trancafiados no centro do núcleo alimentar desse Leviatã chamado de Estado burguês, auxiliados com seus braços pequenos burgueses vendados e amordaçados.

Observamos em determinadas categorias que certos “privilégios” ou “concessões” ofertados pelas empresas criando uma nova identidade no trabalhador, como por exemplo: bancário deixa de ser bancário e se intitula administrador, gerente, etc…

Observamos também na categoria de trabalhadores em serviços gerais, que hoje deixa de ser trabalhador pertencente a essa categoria e se auto intitula “chefe”, acaba ocupando o lugar comum para cobrar produção e esquece os direitos dos seus subordinados e, como também sua condição de explorado.

Observamos que no campo o trabalhador migra para outras funções, como um mero capataz e assim sucessivamente nessa tal “hierarquia” sem proteção e sem um futuro, sem paz, conforto e segurança para uma vida digna, o que não garante a sobrevivência nesse mar de riqueza guardada entre canhões e metralhadoras e dividida entre os burgueses.

Observamos que os trabalhadores usam uma nova persona e se comportam como proprietário defensor da empresa ou de suas idéias exploratórias, jogando sua identidade anterior para uma sombra que ele não quer jamais ver para não rever sua origem, vivendo exclusivamente de sua nova mascara: “eu sou”.

Essa nova mascara esconde a velha sombra que o acompanha e o apavora, fazendo-o fugir do “em si” para o “para si”, perdendo sua identidade para a execrável personalidade do capitalismo que também se esquiva das suas sombras cheias de insensatez, insensibilidade, inconseqüência, mais-valia e do descompromisso com a humanidade, tornando-nos desumanos, colocando-nos como a própria essência do capitalismo: Inexoráveis seres humanos.

*Valter Moraes – é funcionário do Bradesco e diretor regional da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe


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