Casos de Aids aumentam na Bahia

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, divulga os números da Aids no país

Hoje 1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. O Ministério da Saúde divulgou, na segunda, 28/11, um boletim epidemiológico que  apontou aumento na taxa de incidência de Aids notificados na Bahia em um ano.

Em 2009, foram 6,8 casos por 100 mil habitantes, e, em 2010, 7,5. Salvador também teve um aumento no número de diagnósticos de pessoas com Aids: em 2009, foram 25,4 casos por 100 mil habitantes, enquanto que em 2010 foram  28,9 casos.

No Brasil, o número de  novos casos de Aids sofreupequena queda em 2010, quando comparados a 2009. Foram registrados no país, 34,2 mil novos casos de Aids no ano passado, contra 35,9 mil em 2009. A taxa de incidência da doença passou de 18,8 por 100 mil habitantes, em 2009, para 17,9 em 2010. Desde o início da epidemia, em  1980, até junho deste ano, 608.230 mil pessoas foram infectadas no país.

Segundo a superintendente de vigilância e proteção da saúde da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), Alcina Andrade, o aumento dos números de casos notificados no Estado são resultado da interiorização da ampliação do acesso ao diagnóstico. “Isso impactou positivamente sobre os números de incidência, pois com o diagnóstico precoce por meio da testagem rápida temos mais casos notificados”, disse.

O mesmo concluiu a coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS da Secretaria da Saúde (SMS), Socorro Farias: “Esse aumento da taxa de incidência deve-se, primeiro a um processo que já vem sendo feito pelo Ministério da Saúde, governo e prefeitura, que é o diagnóstico precoce, e isso tem mostrado novos casos de Aids para a gente. O diagnóstico melhorando, os números reais vão aparecendo e, se você não tem um bom diagnóstico, não dá para fazer um bom tratamento”, explicou a coordenadora municipal.

Mais vulneráveis – O boletim do Ministério da Saúde alertou para o aumento de casos nos últimos anos entre jovens gays, travestis e mulheres com idades entre 13 e 19 anos. As jovens de 15 a 24 anos apresentaram maior aumento nos casos da doença e proximidade com a incidência encontrada entre os homens da mesma faixa etária. A relação de mulheres infectadas, em 2010, é de 1,6 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto o de homens é de 2 casos a cada 100 mil habitantes nesta faixa.

De acordo com a superintendente de vigilância e proteção da saúde da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), Alcina Andrade, a tendência do crescimento da doença entre o público jovem é mundial.  “Na verdade, o que estamos vivendo hoje é uma outra geração de pessoas se envolvendo com o vírus da Aids, diferente dos jovens que tiveram contato com o HIV no início da epidemia. Se na década de 1980 a ideia de prevenção era muito maior, até mesmo pelos ídolos que o País foi perdendo por conta da doença, hoje os jovens não têm essa referência e visualizam a disposição de um conjunto de remédios para manter uma sobrevida como algo que não deva ser encarado como problema”, destacou.

O número de jovens homossexuais masculinos com Aids aumentou 60% em uma década, segundo dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Ano passado, foram confirmadas 514 infecções entre gays com idades entre 15 e 24 anos – o equivalente a 26,9% dos casos da doença nesta faixa etária.

Em 2000, tinham sido notificados 321 pacientes com o vírus HIV. Esses índices levaram o Ministério da Saúde a fazer uma constatação: o risco de um jovem gay brasileiro estar infectado pelo HIV é 13 vezes maior do que o restante da população nesta mesma faixa etária.

Para o assessor jurídico do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa), Oseias Cerqueira, o machismo e a homofobia dificultam o acesso à informação desses jovens, que não possuem material didático que possam esclarecê-los sobre prevenção e riscos. “No Gapa,  realizamos um trabalho que também está alinhado com a prevenção dessa doença, por meio da educação  no campo escolar e sobre a questão da  sexualidade feminina. Acreditamos também que uma das questões que  contribuem para o aumento desses índices é o preconceito, porque  não temos no País um trabalho de educação sexual que se volte para os homossexuais na escola”, disse o assessor. 

Transmissão vertical – Um dos resultados indicados pelo boletim epidemiológico foi a diminuição da transmissão vertical – quando a mãe infectada passa o vírus da Aids para o filho. Segundo o Ministério da Saúde, houve uma queda de mais de 40%, entre 1998 e 2010.

O número de casos de Aids em menores de 5 anos de idade no País, em 2009, foi de 42 por 100 mil habitantes, em 2010 esse número foi reduzido em dez casos, passando para  32 notificações. Até 30 de junho deste ano, oito casos foram notificados.

No ranking da taxa de incidência (por 100 mil habitantes) de casos de Aids em menores de 5 anos de idade no País, a Bahia ocupa o 15º lugar, com a taxa de 3,0 em 2009 e 2010. Segundo a infectologista Ana Paula Alcântara, a testagem rápida abriu a possibilidade de diagnóstico precoce, contribuindo para a prevenção da transmissão vertical.

“A obrigatoriedade desta testagem na mulher grávida, seja no período pré-natal ou no momento do parto, tem um impacto direto na mulher e na relação de crianças nascidas com o HIV, apesar de essa realidade universal ainda não ser nacional. As unidades de saúde precisam se adequar para atuar com essa determinação do ministério”, destacou a infectologista.

Fonte: http://www.atarde.com.br

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