Estadunidenses não cumprem contratos e dominam obras no Haiti

Depois de dois anos de frustração com a lenta reconstrução do país destruído pelo terremoto, haitianos dizem que foram deixados de lado enquanto as empresas estadunidenses abocanham a maioria dos contratos – e do dinheiro – destinados a obras de infraestrutura e assistência.

Por Aldo Jofre Osório

Auditorias e análises sobre os dois últimos anos feitas pelo inspetor geral da Agência estadunidense para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês) encontraram problemas que têm dificultado a reconstrução e levam ao descumprimento das promessas de distribuir de forma justa contratos entre empresas haitianas e americanas.
De acordo com estimativas do governo estadunidense, 1.537 contratos foram concedidos, somando um total de 204.604.670 dólares até o terceiro trimestre de 2011. Apenas 23 destes contratos foram para companhias haitianas, totalizando 4.841.426 dólares.

Onde há dor, há lucro

O governo dos Estados Unidos destinou 3,1 bilhões de dólares para o Haiti, de acordo com o Gabinete do Coordenador Especial para o Haiti no Departamento de Estado estadunidense. Isso inclui 1,8 bilhão de dólares para a reconstrução durante os próximos cinco anos.
O Congresso também destinou 1,14 bilhão em fundos suplementares em julho de 2010, depois do terremoto, segundo a Controladoria do governo estadunidense. Mas neste caso os fundos foram para o Departamento de Estado e para a USAID, que por sua vez repassaram a empresas e ONGs. Juntos, esses departamentos estão administrando cerca de 412 milhões de dólares para projetos de infraestrutura no Haiti.
Muitos críticos dizem que poderia ser feito mais para garantir que pelo menos uma parte dos contratos sejam entregues a companhias haitianas. Mas, em vez disso, o dinheiro vai para os suspeitos de sempre – empresas que são velhas conhecidas do governo estadunidense, em Washington, afirma Bob Remy, um consultor de equipamentos farmacêuticos e presidente do Comitê de Ajuda Haitiana de Washington.
“Esse círculo é conhecido pelo seu poder de lobby, especialmente as companhias que são contratadas para trabalhar em áreas propensas a desastres”, ele diz. “Sempre que existem desastres, as mesmas companhias se juntam. Para eles, onde houver dor, há lucro”.
Segundo o Centro para Economia e Pesquisa Política, de Washington, até setembro de 2011, 2,4% dos contratos do governo estadunidense foram para empresas haitianas, enquanto 35,5% contemplaram empresas do mesmo círculo, sediadas em Washington, Maryland e Virginia.

Trabalhadores também foram excluídos

O governo estadunidense garantiu que iria obrigar as empreiteiras a contratar uma boa parcela de haitianos. Mas, de acordo com uma auditoria do inspetor geral de gastos da USAID feita em setembro de 2010, os dois maiores contratadores estadunidedo programa “dinheiro por trabalho” empregavam apenas 8 mil haitianos por dia – em vez dos 25 mil requeridos pelo contrato.

Para ler matéria completa clique no link abaixo:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=173773&id_secao=7

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