Brogodó do Sul: uma República ou uma Monarquia?

Por Valéria Ettinger*

A República e a Monarquia são formas de estado as quais definem a estrutura da organização governamental. Essa estrutura se estabelece a partir do comando político de quem governa. Na República o povo possui o poder soberano e na Monarquia, apenas uma pessoa governa.

Na Republica o poder é temporário, eletivo e responsável, já na Monarquia o poder é absoluto, perpetuo e hereditário. Ressalto que na atualidade o sentido de Monarquia absoluta perde espaço para as Monarquias constitucionais que tem o exercício governamental diluído.

Abstraindo o sentido atual de Monarquia e nos reportando ao sentido clássico, se Brogodó do Sul fosse um Estado soberano estaria se delineando um quadro monárquico ou republicano na sucessão do governo?

Um dos pilares do republicanismo é impedir qualquer tipo de dominação, seja através  de relações de escravidão, de relações feudais e assalariada, ou seja, relações que imponham uma posição direta e unilateral.

No entanto, vemos a formação de um quadro dinástico em Brogodó do Sul, no qual a figura da permanência familiar no poder é uma bóia-fria engolida a seco.

Nada tenho contra as mulheres, muito menos questiono se a candidata tem ou não tem capacidade, até porque não temos parâmetros para isso, o que não concebo é a ausência de um processo dialético e democrático, vindo de um partido que historicamente foi um dos construtores desse modelo. Mas, isso é assunto para outro artigo, o esvaziamento ideológico dos partidos no Brasil.

Não sabia que partido tinha dono e muito menos que havia sucessão partidária familiar, aprendi, sim, que o partido é um espaço público de discussão política e que não deve existir hegemonia dos seus membros. Se o partido é o meio de garantia da temporariedade governativa, ele não pode ser construído como uma estrutura de senhores e vassalos, todos devem ter espaço de participação.

Como todos estão imbuídos em manter-se no poder e o medo de perdê-lo é muito grande. Será que esse comportamento monárquico é para garantir que a criatura não traia o criador? Como aconteceu com o outro, que deixou de ser o vice, que nada sabia, e passou a ser o prefeito sem referência, pois abandonou seu criador.

Os outros não são tão diferentes, pois apesar de não terem uma imposição no estilo monárquico, seus caciques insistem em impor goela abaixo os seus escolhidos. E assim se delineia a dança partidária.

Pensando bem: se na Argentina Cristina Kirchner se emancipou e não é mais a mulher de Néstor Kirchner, se Dilma não é mais o espelho de Lula, quem sabe?…

*Valéria Ettinger é professora universitária

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