Lições da greve da PM e Bombeiros na Bahia

Jorge Barbosa, presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região

Por Jorge Barbosa*

Antes de travarmos qualquer batalha ensina Sun Tzu “é necessário conhecermos a nossa força, a do adversário e o campo de batalha”. A greve é um instrumento legítimo de luta dos trabalhadores e quando “bem utilizada” pode trazer resultados significativos comenta Marx.  Porém, não basta a reivindicação ser justa, é necessário saber jogar, e o resultado da greve em apreciação é um exemplo emblemático.

Quando o comando do movimento optou pela ocupação da Assembléia Legislativa e segmentos tentaram ou cometeram atos deploráveis, abriram a guarda para o revés legalista do Estado. No momento em que o comando teve a chance de fechar um acordo, ainda que não ideal, mas que garantia vitórias parciais para a categoria e não o fez, mais uma vez ficou exposto a ser tachado de intransigente, perdendo o apoio da opinião pública, já cansada por uma greve de oito dias. Dessa forma corre o perigo de cair em total isolamento político e na desmoralização das lideranças.

É lamentável vermos justas aspirações como melhores salários e condições dignas de trabalho, real motivo da greve, serem jogadas de lado em função da má condução do movimento. Por outro lado, a sociedade baiana e brasileira foi levada a discutir a situação a polícia e mesmo a PEC 300 que estava completamente esquecida voltou a ser debatida, uma vez que não é justo o policial arriscar cotidianamente a sua vida no afã de garantir a segurança pública e perceber baixos salários, além de ter que conviver com más condições de trabalho como por exemplo armamentos defasados, coletes vencidos e até mesmo falta de combustível nas viaturas.

Fica a lição: a direção política do movimento é fundamental para a condução de qualquer luta de natureza política e é isso que diferencia as forças políticas. A sua teoria e ação.

Para concluir é sempre bom remeter a Marx: ” toda a luta sindical sem uma prespectiva de classe, de superação da escravidão assalariada, teria efeitos parciais e temporários, corroídos pela própria lógica do capital, e contribuiria somente para deseducar a classe. Os operários não devem superestimar o resultado final dessa luta cotidiana. Não podem esquecer que lutam contra os efeitos e não contra as causas desses efeitos, que o que fazem é refrear o movimento descendente, mas não alterar o seu rumo; que aplicam paliativos, e não a cura da doença”.

* Jorge Barbosa é presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região e coordenador da CTB Regional Sul da Bahia

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